Blogue da Biblioteca da Escola Secundária D. Afonso Henriques - Uma comunidade ativa que tece saberes a afetos...
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domingo, 12 de outubro de 2014
terça-feira, 19 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Equador
Na comemoração do Internacional das Bibliotecas Escolares, os alunos Ana João Alves e Paulo Silva do 12.º H apresentaram em Power Point, na Biblioteca Escolar, uma síntese do livro "Equador" de Miguel Sousa Tavares. Com uma postura descontraída motivaram o público para a leitura do livro.
Parabéns! Estiveram muito bem e revelaram conhecimentos da obra e do escritor.
Parabéns! Estiveram muito bem e revelaram conhecimentos da obra e do escritor.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Mês Internacional das Bibliotecas Escolares
Na última semana do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, serão apresentados na biblioteca vídeos sobre a importância da leitura e ainda uma apresentação sobre algumas das mais belas Bibliotecas Mundiais.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Laureano Barros, o homem que viveu para a sua biblioteca - III
O senhor Doutor» “O doutor foi a pessoa mais honesta e culta que conheci à face da terra”, diz Manuel Rocha, que hoje tem 36 anos, mas está na quinta desde criança. “Ele para mim era tudo. Sempre pensei: com este homem, não preciso de mais nada”. Um dia, Nuno Leitão, que trabalhou na quinta mas depois estudou informática de gestão, ofereceu-se para catalogar toda a biblioteca em computador. Laureano agradeceu, mas não precisava: tinha os ficheiros todos na cabeça. Todos falam do “doutor”, hoje, com incondicional afecto e uma orgulhosa emoção. A exaltação quase fanática, possessiva, de quem sente ter tocado uma esfera superior da existência. Não é fácil entender que tipo de influência Laureano exerceu sobre os espíritos destes jovens. Mas basta falar um pouco com eles para perceber que ainda lhe estão submetidos. Têm uma transparência comovente no olhar, que nos faria confiar-lhes a própria vida, sem hesitação.
Nos últimos tempos de vida, Laureano começou a preocupar-se com a posteridade. Não teve nenhuma fraqueza religiosa – manteve-se agnóstico até ao fim – mas passou a tomar disposições. Doou todos os bens aos filhos para os poupar a burocracias e eventuais contendas. Organizado e precavido como era, passou os últimos anos a preparar o seu desaparecimento, mas a sua grande preocupação eram, obviamente, os livros. À medida que se aproximava do fim, ia perdendo o interesse por tudo excepto pelos livros.
O Fim» Apercebendo-se de que os filhos não queriam a biblioteca, pensou em várias soluções, mas nenhuma lhe agradou. Por fim, deixou de se preocupar com o assunto, mergulhando numa estranha apatia, numa inconsciência meticulosa e desesperada.
No seu afã de tudo medir pela beleza dos livros, de sublimar neles os seus dias e o seu futuro, nunca lhe passou pela cabeça que a biblioteca pudesse não ser eterna. Mesmo sabendo que em breve tudo aquilo seria vendido em leilão, não deixou de folhear, tratar e acariciar os seus livros, com a leveza confiante com que uma criança diz adeus a quem ama.

Assim termina uma biblioteca que foi, afinal, a história da vida de um homem:
"Em ano de comemoração dos seus 50 anos de existência, a Livraria Manuel Ferreira promove um importante leilão de cerca de 6000 espécies bibliográficas constitutivas de uma das mais valiosas bibliotecas particulares do século XX, formada pelo dedicado bibliófilo Dr. Laureano Barros. “
Adaptado de um artigo, publicado no Jornal Público, em Junho de 2009.
A Equipa da Biblioteca, em Outubro, o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares
Marcadores de Livros - 12º H e S
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Laureano Barros, o homem que viveu para a sua biblioteca - II
A biblioteca» Quando foi viver para o Porto, para frequentar o liceu, o jovem Laureano Barros começou a comprar livros. Frequentava os alfarrabistas e iniciou uma colecção, tal como fazia com os paliteiros, bengalas, relógios, louças, antiguidades ou alfaias agrícolas. Mas, ao contrário de toda a traquitana que sempre gostou de trazer para casa, aos livros dedicou uma fidelidade especial. Não os vendia, não desistia nem se esquecia deles. Começou a acumulá-los na moradia que o pai lhe comprou para se instalar na cidade, na Foz, continuou a ampliar a colecção enquanto viveu nessa casa com a primeira esposa, Leonor, e depois quando se divorciou dela e das seguintes. De cada vez que se separava da mulher com quem vivia (e foram mais mulheres do que os três casamentos), deixava-lhe tudo: os filhos, a casa, os móveis, as antiguidades. Mas levava consigo a biblioteca. Por alguns autores tornou-se obcecado e comprava tudo. Depois estendeu a obsessão a todos os escritores. Comprava e lia, várias vezes, os livros de Camilo, Eça, Pessoa, Torga. Sempre teve insónias, e passava-as a ler. Dono de uma memória prodigiosa, sabia páginas e páginas de cor. Perdia horas a arrumar os livros, a manuseá-los, a acariciá-los. Primeiras edições de Fernão Mendes Pinto, Camões, Vieira, Verney, Eça, Pessoa, Antero ou António Nobre, obras juvenis de Guerra Junqueiro, Torga ou José Gomes Ferreira, edições raras de poetas quinhentistas de Ponte da Barca – a biblioteca começou a crescer em majestade, a tornar-se maior do que si própria, misteriosa e imortal, exigindo reverência e devoção.
A solidão» Laureano Barros tornou-se um homem desiludido. “Passava muito tempo sozinho, embora adorasse conversar”. O comportamento dos outros entristecia-o. Principalmente o dos mais comprometidos com o mundo. Por isso foi cortando eles. Aceitou o cargo de Director da Escola Secundária de Ponte da Barca, mas por pouco tempo. Segundo uma investigação que instaurou, descobriu serem falsos os atestados médicos que uma professora apresentava para faltar às aulas. Como ela não foi demitida, alegadamente por ter amizades no Ministério da Educação, Laureano pediu a reforma. “Para ele, tudo tinha de ser perfeito” Não facilitava. Terá sido por causa do perfeccionismo e obsessão pela verdade que não conseguiu manter nenhum casamento, explica um amigo. Não suportava situações menos que perfeitas, e não conseguia mentir: de cada vez que tinha uma infidelidade, contava logo à mulher, o que acabava por levar à separação.
Laureano isolou-se em Ponte da Barca, onde passaria os últimos 30 anos de vida. Fugia das pessoas, mas ao mesmo tempo procurava-as. Os outros surgiam-lhe como entidades algo imateriais e o encontro com eles não raro o fazia sentir-se perdido. Talvez cultivasse o relacionamento com os que se prestavam a ser amigos imaginários, metáforas de si próprios. Dizem os psicólogos que os coleccionadores compulsivos sofrem de incapacidade de lidar com os outros. Se isso é verdade, os livros, metáforas perfeitas da vida, são a colecção ideal do filantropo solitário.
Continua no dia 16 de Outubro…
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Laureano Barros, o homem que viveu para a sua biblioteca

Durante uma vida inteira, Laureano Barros reuniu, em Portugal, a mais valiosa biblioteca privada da segunda metade do século XX, que agora, após a sua morte, aos 84 anos, está a ser leiloada no Porto.
Quem era este homem?
Rigoroso, desinteressado, legalista e libertário, vertical e humilde, pontual e incapaz de manter um emprego, matemático de génio e amante da literatura, tolerante e radical, egocêntrico e generoso. Ele planeava tudo: era organizado, previdente e perfeccionista. Inflexível com a verdade e a liberdade.
Laureano Barros
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